Desde 2019, que a campanha nacional de mobilização intitulada de “Portugal Chama. Por Si. Por Todos.” tem chamado pelos portugueses, e os portugueses têm ouvido!

Os resultados apurados pelo Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) revelam que há uma clara redução do número de incêndios, incluindo em dias de meteorologia mais severa, o que é um resultado muito positivo. No ano de 2023 registaram-se cerca de 7.600 incêndios, o que representa menos de 1/3 da média registada entre 2001-2017 (cerca de 25.000). Parte desta tendência é consequência de medidas que se têm vindo a desenvolver no terreno, pelas várias entidades do SGIFR, sensibilização, fiscalização, medidas de proximidade, vigilância, ações de dissuasão, entre outras. Há claras evidências que as pessoas têm vindo a adequar os seus comportamentos, por exemplo ao preferir cada vez mais o inverno e a primavera para queimas e queimadas, que antes eram frequentemente realizadas no verão. Aqui também a disponibilização de mecanismo de apoio à decisão para queimas e queimadas da responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, muito tem contribuído para informar e auxiliar os agricultores e pastores, contribuindo para a redução do número de potenciais incêndios. A campanha Portugal Chama também tem gerado frutos para estes resultados positivos conseguindo atingir os diversos públicos-alvo e sensibilizando a população que agora se encontra mais informada, adequa os seus comportamentos, cumpre as regras de segurança, sabe como se proteger, preocupa-se em ter um território mais resiliente aos incêndios rurais e tem uma maior perceção global do risco.

Tiago Oliveira, presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, recordou que no ano passado não se registaram fatalidades civis em incêndios, e que em 6 anos se reduziu para mais de metade o número de ocorrências. “Isto significa que baixámos a probabilidade, mas ainda há muita silvicultura e silvopastorícia para fazer, para que o perigo se reduza”, alerta.

Para Duarte da Costa, presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, “o alcance de uma meta não invalida a necessidade de lutar persistentemente pelos nossos objetivos todos os dias”, salientando que 2023 é um “excelente exemplo” de um trabalho bem feito. Reforçou ainda que “a solução é a prevenção. O combate nunca é a solução.  É necessário o envolvimento de todos na prevenção e na redução do número de incêndios”. 

Nuno Sequeira, vogal do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, defendeu que o foco é a promoção da alteração de comportamentos bem como cuidar dos espaços rurais, trabalho este que deve ser contínuo.

A importância da Operação Floresta Segura foi destacada pelo Tenente-Coronel Jorge Amado, diretor do SEPNA/GNR, tendo em conta a sua transversalidade que vai desde a sensibilização ao pós-evento, investigando as causas dos incêndios rurais, “o que é muito importante perceber”. Permite ainda estar mais próximo das pessoas, procurando mudar comportamentos quanto à gestão de combustíveis e à utilização de maquinaria que possam potenciar a origem de incêndios.

No entanto, o perigo continua aí e por isso é necessário continuar a mobilizar toda a gente e cada um de nós, pois a “prevenção começa em si”. Se em 2019 a campanha fazia um apelo a todos os portugueses, volvidos 5 anos, é necessário voltarmo-nos para o que cada um de nós pode fazer de diferente para contribuir para um Portugal mais protegido de incêndios rurais. A verdadeira mudança e minimização do impacto dos incêndios ocorre na sua prevenção, pois apostar apenas na supressão e nos meios será sempre insuficiente e bastante mais dispendioso para todos os portugueses. Agora em 2024 com um novo mote, grafismo e novos conteúdos a campanha é direcionada a toda a população, independentemente da região, e procura promover mudanças reais através das ações individuais de todos. A ser lançada agora em março estará disponível ao longo do ano em meios institucionais, televisão, rádio, imprensa e digital.

“Portugal Chama”, da responsabilidade das entidades do SGIFR e com chancela da República Portuguesa, integra a participação de todas as áreas governativas e serviços tutelados envolvidos na prevenção e supressão dos incêndios rurais e ainda com mais de 60 empresas privadas que colaboram ativamente na divulgação da campanha.

No encerramento da sessão, João Costa, ministro da Educação, referiu que “não vamos conseguir ser melhores nesta área, se não tivermos um maior envolvimento da educação, da justiça, da saúde, da ciência”, acrescentando que a educação tem um potencial transformador de cada criança quando é educada para uma determinada área para influenciar a sua família. 

João Costa deu como o exemplo o que tem sido feito ao nível da educação ambiental ao longo dos anos no país, onde as crianças e jovens conseguiram influenciar e transformar os comportamentos em todas as famílias.

O ministro da Educação chamou ainda a atenção para como os media comunicam os incêndios, sublinhando que a comunicação social devia transmitir sobretudo conhecimento e medidas de prevenção relacionadas com esta matéria.

PORTUGAL CHAMA.

POR SI. POR TODOS.